”(…) Juntos, dominavam a capacidade de escravizar espaço e tempo, moldando ambos em função de suas próprias vontades. Súdito deles, o universo se tornara tudo e nada. Lugar algum era completo quando sozinhos, e todos os lugares acabavam igualmente irrelevantes quando juntos. Onde, não importava mais, contanto que os corações estivessem próximos o suficiente para sentir um ao outro.
O espaço, nunca antes tão pequeno, ainda lutava para existir.
Porém, contentaram-se em fazê-lo com que nunca fosse maior que somente o suficiente para o choro saudoso ainda soar, vez ou outra. Este, no entanto, atormentava constantemente com sua cantoria. Começa baixinho, até mesmo quando juntos, e se põe a gritar a plenos pulmões, quando crescia a distância entre os dois.
O tempo se conformara com a habilidade do casal que o dominara. Uma vez que aprenderam como desacelerá-lo, quando conveniente,
ou acelerá-lo quando necessário, nada mais poderia ele fazer. Forçavam que passasse mais rápido quando distantes, mas desaceleravam o mesmo, se lado a lado, com uma simples troca de olhares. Sinceras, as almas se comunicam pelos olhos. Sentem os minutos passarem arrastados, de forma que estes parecem com as horas, que se tornam em dias, depois semanas, meses e terminam por se transformarem em anos. Quando percebem, o passado e o presente já haviam se tornado uma única realidade, de forma que, seja por seis meses, vivem como se fosse por todos os anos.
E esperam ansiosos pelo futuro que bate à porta, por mais outros anos, sejam estes concretos ou manipulados pelas aparências do tempo. Ainda assim, estes mesmos olhos continuam igualmente vidrados, uns aos outros, na beleza de todo um sentimento.”
Mestres do tempo, eu e os olhos azuis, unimos o passado ao presente. Olhamos juntos ao futuro, pois destes já não posso ou quero desviar.
Thomas Togni
